terça-feira, setembro 07, 2004

Dados técnicos

Caso alguém queira repetir o roteiro que fizemos ou aproveitar algumas informações para fazer seu próprio roteiro, seguem informações resumidas sobre toda a viagem:

Trecho 1: São Paulo/SP a Petrópolis/RJ
520 km em 7:20hs
Três paradas: último posto antes do Pedágio da Ayrton Senna (30 min), Aparecida do Norte/SP (30 min) e posto perto de Três Rios/RJ (15 min)

Trecho 2: Petrópolis/RJ a Vila Velha/ES
560km em 6:50hs
Nenhuma parada

Trecho 3: Vila Velha/ES a Caravelas/BA
460km em 6:20hs
Uma parada: São Mateus/ES (15 min)

Trecho 4: Caravelas/BA a Prado/BA
60km em 35min
Nenhuma parada

Trecho 5: Prado/BA a Itacaré/BA
475km em 7:00hs
Duas paradas: posto em Eunápolis/BA (10 min) e posto Timbuibão em Buerarema/BA (25 min)

Trecho 6: Itacaré/BA a Morro de São Paulo/BA
215km em 4:00hs
Nenhuma parada

Trecho 6: Morro de São Paulo/BA a Lençóis/BA
436km em 4:55hs
Duas paradas: Amargosa (10 min) e Itaberaba (30 min)

Trecho 7: Lençóis/BA a Itacaré/BA
653km em 9:35hs
Três paradas: Itaberaba (20 min), Santo Antonio de Jesus (25 min) e Gandu (5 min)

Trecho 8: Itacaré/BA a Arraial d´Ajuda/BA
425km em 5:40hs
Duas paradas: posto Timbuibão em Buerarema/BA (5 min) e Itagimirim (20 min)

Trecho 9: Arraial d´Ajuda/BA a Vila Velha/Es
607km em 9:10hs
Cinco paradas: arredores de Itabela/BA (25 min), posto em Teixeira de Freitas/BA (5 min), São Mateus/ES (35 min), Linhares/ES (5 min) e templo budista de Ibiraçu/ES (20 min)

Trecho 10: Vila Velh/ES a Belo Horizonte/MG
538km em 6:55hs
Uma parada: Manhuaçu/MG (25 min)

Trecho 11: Belo Horizonte/MG a Uberlândia/MG
590km em 7:00hs
Uma parada: posto em Campos Altos/MG (25 min)

Trecho 12: Uberlândia/MG a São Paulo/SP
613km em 7:15hs
Quatro paradas: Uberaba/MG (20 min), Igarapava/SP (20 min), Ribeirão Preto/SP (20 min) e Pirassununga/SP (30 min)

De volta para casa 2

Depois de tantas aventuras e desventuras, voltar para casa acaba significando um alívio e um ponto final no processo. Afinal de contas, é preciso finalizar a coisa para poder começar uma nova ou vamos acabar em uma viagem sem fim e não teremos tempo de curtir as lembranças e as aventuras que vivemos.
Foi pensando nisso que peguei a Anhanguera no sentido de Sampa: queria voltar logo para o meu cantinho poluído, barulhento e doido. Por que apesar de todos os defeitos, Sampa ainda era o meu lugar.

Para minha surpresa, a viagem de volta não foi tão solitária: tive dois caronistas no começo da viagem. Um deles ficou em Igarapava (cidadezinha bem próxima à divisa de Minas com SP) e o outro desembarcou em Ribeirão Preto. Apesar do pequeno atraso que isso me causou, acho que acabou sendo legal ter companhia por pelo menos metade da viagem. E olha que a conversa acabou sendo animada e variada.

Após uma nova paradinha para descanso e lanche em Pirassununga, cheguei a Sampa no final da tarde, ainda com luz do dia e bem a tempo de descarregar o carro, tomar um banho e nanar como um anjo. Afinal de contas, no dia seguinte eu já voltaria ao tradicional batente na empresa e era necessário chegar descansado e bem disposto.

Antes de dar por encerrada a viagem, registrei algumas informações que mostraram que aquela havia sido a minha maior aventura até então.
Entre mortos, feridos e peças quebradas no carro, acho que o saldo foi positivo.

Que venha a próxima aventura!!!


O tamanho da brincadeira Posted by Hello


Consumo médio Posted by Hello


Velocidade média Posted by Hello

segunda-feira, setembro 06, 2004

De volta para casa 1

A saída de BH rolou muito mais tranquila do que a entrada.
Apesar de estarmos devidamente instruídos sobre as ruas a tomar e os pontos de referência a observar, foi muito mais tranquilo localizar a tal Avenida Amazonas e seguir reto "toda a vida". Não demorou até chegarmos às cidades coladas em BH e deixar para trás um lugar que certamente vai merecer uma nova visita, desta vez com mais tempo e informações.
Afinal de contas, os botecos precisam de avaliação experiente.

A viagem até Uberlândia não nos rendeu muitas emoções além da maravilhosa vista das centenas de ipês visíveis à partir da estrada e das dezenas de lugares para apreciar o tradicional pão com linguiça.
Se os primeiros nos renderam inúmeras paradas até que conseguissemos as imagens ideais, o tal pão tradicional nos trouxe algumas cenas hilárias com direito a gases estomacais dentro do carro e caras dissimuladas até que o odor se espalhasse pelo mundo.
Mesmo pouco educado, foi mesmo muito engraçado. Mais ainda por que não fui eu o autor dos tais gases.

Mas voltando aos ipês...
Acabamos percebendo que de acordo com o trecho da estrada a concentração de cores variava. Saindo de BH e até Campos Altos, a maioria das árvores era amarela, mas de lá até Uberaba, vimos mais ipês roxos do que em toda a minha vida anterior.
Coisa besta, mas curiosa.


Ipê amarelo Posted by Hello


Ipê roxo Posted by Hello

Outra coisa que percebemos à medida que andávamos mais no Triângulo: o Carcará, um gavião de cerrado, domina toda a paisagem. Para onde quer que se olhe, se avista um bichão daqueles voando ou olhando o campo à procura de alguma coisa.
Infelizmente não consegui fotografar nenhum dos casais que vimos, mas valeu a lembrança.

Quase no final da tarde chegamos a Uberlândia e a minha mineira comemorou a volta para casa. Até me juntei a ela na celebração, mas ainda me faltava um último trecho para comemorar de verdade.
Depois de tudo o que havíamos passado, a viagem de UDI até Sampa seria quase uma formalidade, mas uma formalidade necessária e aguardada.

domingo, setembro 05, 2004

Na capital do queijo

Como o marido da minha cunhada conhecia BH como ninguém, contamos com a inestimável ajuda dele para obter dicas de como chegar ao hotel onde nos hospedaríamos, o Parthenon Casablanca.
Essas informações seriam extremamente úteis para dimunuir o tempo que rodaríamos à esmo na capital de Minas. Claro, por que se perder em uma nova cidade era coisa certa para nós viajantes incautos.

O ponto complicado do dia foi a despedida do sobrinho da minha mineira. O moleque sismou que queria ir junto e só não se aboletou no carro por que não teve força para abrir a porta. Ainda bem, ou teríamos que lidar com algo mais do que lágrimas e bicos.

A viagem pela serra do Espírito Santo foi bem agradável, apesar de lenta.
Passamos por Domingos Martins e por uma série de cidades que fazem parte do roteiro turístico da região. Como já havíamos visitado tudo aquilo no ano anterior, achamos melhor seguir viagem e chegar logo ao destino.

Chegamos a BH no final da tarde e depois de um banho e um merecido descanso, começamos a ligar para os botecos para tentar definir onde aterrisaríamos naquela noite. A informação de que BH tem mais botecos do que Sampa bateu forte no meu fígado e eu não poderia deixar de buscar uma comprovação do fato. Afinal de contas, ninguém desafia impunemente os bêbados da minha terra.
A decisão acabou ficando para o taxista que nos levou para a Savassi, um dos bairros mais famosos da cidade.
Acabamos na "praça da Savassi" que de praça não tem nada, já que não passa de um cruzamento de seis ruas e com um monte de bares e lanchonetes nas esquinas e proximidades.

Tínhamos a recomendação de procurar a Livraria da Travessa, mas como não conseguímosm descobrir ninguém para nos orientar, tivemos que nos conformar com a Livraria Status mesmo. Apesar de não conhecer a primeira, fiquei bem satisfeito com a segunda: cerveja gelada, boa comida, som em volume suportável para um bar e um monte de livros e revistas disponíveis para passar o tempo e divertir.
Alguns ml de cerveja depois, pegamos um outro táxi e voltamos para o hotel para o merecido descanso. Aquela noite seria a última da minha mineira fora de casa já que nosso próximo destino seria Uberlândia e o cerrado mineiro.

Um último toque: para um paulista, o preço dos táxis em BH é ridículo. Dá vontade de ficar a noite inteira rodando.

sábado, setembro 04, 2004

De novo a família

Depois da noite mal dormida, tivemos que pegar leve na comida e reforçar o café para aguentar a viagem de volta a Vila Velha. Havíamos combinado uma nova noite na casa da minha cunhada e desta vez chegaríamos ainda com luz do dia.
Antes de sair de Arraial, uma vistoria na pousada e algumas imagens para a posteridade.


A pousada Posted by Hello


A piscininha Posted by Hello

Como já estávamos acostumados com as crateras da BR101 bahiana, não nos apressamos muito para sair do estado e fomos curtindo a paisagem que havíamos perdido na ida por termos viajado à noite.
O alívio que sentimos ao entrar no Espírito Santo foi quase sexual. Só não paramos para comemorar por que queríamos recuperar o tempo perdido e visitar o templo budista de Ibiraçu, no caminho para Vila Velha.

Infelizmente nosso objetivo foi frustrado. O templo só recebia visitas aos domingos e demos com a cara na porta. Só nos restou visitar a área do torii, com um belo jardim japonês e vários arranjos bem cuidados e bonitos.
Não era de se admirar que tudo estivesse tão impecável: o próprio governador havia inaugurado o lugar poucos dias antes.
Pelo menos naquela semana, o torii e os jardins estariam um brinco.


O jardim japonês Posted by Hello


Certidão da nascimento do torii Posted by Hello


A última visão do torii Posted by Hello

Apesar dos protestos da cunhada, chegamos a Vila Velha declarando aos quatro ventos que ficaríamos apenas uma noite. Infelizmente isso não nos poupou do bico e de alguns gemidos de reclamação. Infelizmente também, não tínhamos alternativa já que os dias estavam contados e havia muito chão para percorrer.
Após acalmar as expectativas, fomos tomar várias no Orla Grill, ao som de MPB e degustando iscas de peixe. Uma delícia gastronômica e etílica que embalou nosso sono e nos recuperou plenamente da noite anterior.
No dia seguinte, nossa vítima seria a capital dos mineiros e seus milhares de botecos.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Perto do Axé

A idéia deste dia era chegar até a Costa do Descobrimento, mas não exatamente se misturar com o povo em Porto Segura. Era muito mais agradável pensar em Trancoso ou Arraial, mas ainda não tínhamos decidido em qual delas aportaríamos.

A saída de Itacaré foi tranquila e a volta à BR101 foi surpreendente: logo depois da cidade de Uruçuca, descobrimos algumas antigas fazendas de cacau e não resistimos a uma parada para fotografia. Era tudo arrumadinho demais para uma fazenda, mas então me lembrei que estava na Bahia, onde tudo era possível, mesmo que improvável.


Fazenda de Cacau Posted by Hello


A capelinha da fazenda Posted by Hello

Infelizmente a 101 não havia mudado nada desde a nossa última passagem e o trecho perto de Eunápolis, exatamente o acesso para Porto Seguro, estava especialmente ruim, como não poderia deixar de ser.
Alguns insultos a Murphy depois, conseguimos transpor os buracos e pegar a estrada que queríamos. Não demorou muito e desviamos de Porto Seguro para pegar o acesso para Trancoso. Até aquele momento não sabíamos bem para onde ir e foi só quando comparamos as distâncias é que decidimos por Arraial. Nossa paciência estava muito curta com as estradas bahianas e estávamos ansiosos por um estacionamento para o carro e outro para as carcaças.

Mais do que rapidamente largamos as malas na Manacá Parque Pousada e fomos explorar a cidade.
Rodamos por tudo quanto é estradinha precária que encontramos e acabamos encontrando uma curiosa escultura em madeira igualzinha a uma garra de águia. Depois do devido registro, deixamos o carro em uma rua bem colorida e movimentada e fomos judiar dos fígados com algumas cervejas geladas no bar Ed´s, de propriedade de um casal de paulistas de Campinas, que toca muito rock nacional de qualidade e que está muito bem localizado no meio do agito. Um pouquinho antes eu havia gasto mais alguns cobres com uma bela mandala feita por um argentino, mas como eu estava com o coração bom, relevei a origem do sujeito.


Paisagem de Arraial Posted by Hello

Meio chapados com as brejas, voltamos para a pousada para tomar banho, trocar de roupa e jantar de forma decente.
Acabamos no restaurante Paulo Pescador, onde experimentamos a simpatia extrema do dono/garçom/barman/cervejeiro aliada a uma cozinha razoável e um preço convidativo. Noves fora, valeu a pena.

Uma lembrança sobre a pousada: apesar de muito gostosa, o fato de ser vizinha à boate Limelight (o que torna impossível o sono nas noites de sexta) e o chuveiro que teimava em esfriar não ajudaram muito o nosso sono. Acabamos não pregando o olho e complicando a viagem do dia seguinte.

quinta-feira, setembro 02, 2004

Começando a voltar

O início da viagem de volta não teve nada de melancólico.
Estávamos plenamente satisfeitos com o que tínhamos feito até aquele momento e encarávamos a volta apenas como mais uma volta a dar. Ao menos eu encarava assim.
E foi desse jeito que curtimos nosso último café na maravilhosa Canto das Águas.
Acho que a gente sentiria tanta saudade do hotel quanto das paisagens da Chapada. Coisa de gente fresca mesmo.

Ainda era o começo da manhã quando saímos de Lençóis e apesar de não sabermos quando ou se voltaríamos àquelas terras algum dia, não rolou nem um pinguinho de tristeza ou saudade do que acabávamos de viver. Tinha sido legal e tinha ficado em nossas mentes. O resto era o próximo destino.
Não tínhamos idéia de como o trecho seria puxado, mas como aproveitamos o dia inteiro, chegar a Itacaré no final do dia não foi nada pesado.
Desta vez entramos por um lugar diferente e acabamos descobrindo a "Oscar Freire" local (rua Pedro Longo), uma ruazinha apertada cheia de lojinhas coloridas e restaurantes chamativos.

Desta vez foi um pouquinho mais complicado encontrar a Pousada Papaterra, mas logo nos situamos naquele lado da cidade e conseguimos largar as coisas no quarto.
De banho tomado e com a fome apertando, logo saímos para jantar em um lugar apropriadamente chamado O Restaurante, bem no meio da "Oscar". O resultado do peixe que comemos lá foi unânime: devíamos ter explorado melhor a cidade para comer lá desde o início. Tudo estava muito gostoso, ainda mais depois que a proprietária e cozinheira veio nos receber e explicar do que se tratava o prato. Show de pelota!

Saciada a fome, nos restava a preguiça, prontamente atendida na cama do quarto.
Não depois da devida confraternização, mas isso não é assunto para este espaço. Quem sabe nas minha memórias póstumas.

Antes de terminar o dia, vale a menção à rádio Castro Alves FM (96,7) com a sua programação de flashbacks de alta qualidade.

quarta-feira, setembro 01, 2004

Só o pó

Parecia que havíamos levado uma surra.
Só de respirar já sentíamos dor.
A decisão de passar um dia a mais em Lençóis nunca pareceu tão acertada.
Nem mesmo o tradicionalmente delicioso café da manhã do Canto das Águas serviu para retirar a expressão de dor de nossos rostos. Nem bem acabamos de comer, já estávamos de volta ao quarto para gemer e ver TV.

Somente na hora do almoço é que tomamos coragem de botar a cara para fora do quarto.
O lugar escolhido daquele dia foi o Grisante na praça principal da cidade e o prato, uma típica carne de sol.
Mais uma vez me decepcionei um pouco com essa comida. Mais uma vez comi um monte mas saí achando que uma boa carne seca desfiada teria me deixado mais feliz. Mais uma vez paguei pouco e acabei feliz.


A praça central Posted by Hello

Resolvemos fazer a digestão caminhando um pouquinho na direção da casa do pessoal da Venturas, exatamente no sentido oposto ao do rio. Era uma ladeira leve, mas ainda assim era uma ladeira e nossas pernas reclamaram de mais exercício.
No caminho para a casa encontramos um coreto muito bem pintado e conservado e um teatro ao ar livre que parecia meio deslocado no interior da Bahia. Seria mais fácil acreditar nele como uma ruína romana ou coisa que o valha.


O coreto Posted by Hello


O teatro Posted by Hello

Caminhamos um pouco, sentamos outro pouco, fomos até a casa e resolvemos voltar. Não dava para pensar em visitar o famoso Hotel de Lençóis, ao menos não nas nossas condições. Depois de meia hora do fim do almoço, achamos melhor voltar e dormir mais um pouco. Afinal de contas não iria nos fazer mal nenhum amassar um pouco mais a roupa de cama do quarto.

Antes do hotel, uma paradinha estratégica para ver o Mercado Municipal, o rio Lençóis sob a ponte a igrejinha matriz. Não conseguimos entrar nela para fazer os tradicionais três desejos, mas valeu a intenção e fizemos nossos pedidos assim mesmo.


O Mercado Municipal Posted by Hello


O rio Lençóis Posted by Hello


A matriz Posted by Hello

No caminho para o quarto, uma última olhada para a piscina e para o rio lá embaixo. Até parecia que eles estavam ao lado um do outro e que dava para mudar de águas com um pequeno salto. Ainda bem que não fizemos isso e que não experimentamos a dor do tombinho que aguarda a quem resolve testar a sorte.


A piscina do hotel e o rio Lençóis Posted by Hello

Terminamos o dia de ócio jantando no nosso point, o Bell´Itália e acertando os planos para a saída da cidade. A idéia era reduzir o trecho percorrido para não abusar ainda mais do carro, que já apanharia o suficiente naquele monte de buracos que os bahianos chamavam de estrada.
Nessa linha, o destino do dia seguinte seria Itacaré e a Pousada Papaterra.
Por mais que já tivéssemos passado por lá e que isso significasse uma volta para o norte, nenhum de nós dois reclamou da decisão. A vilinha de surfistas seria nossa de novo.

terça-feira, agosto 31, 2004

Até a Fumaça

Nossa rotina nesse dia começou como sempre: acordar, tomar banho, arrumar a mala, tomar café e deixar o quarto.
A diferença é que naquele dia enfrentaríamos o trecho mais complicado até o momento: a subida até a Cachoeira da Fumaça.

Saímos da Pousada Verde mais ou menos às 09:00 e seguimos para o pé do morro. Antes de começar a subir, paramos na casa de controle da subida e nos registramos. Éramos os primeiros caminhantes do dia e isso nos rendeu uma pequena comemoração e um brinde com água mineral. Não era Perrier, mas valia.
Enquanto brindávamos, vimos várias pás e outros equipamentos meio rudimentares que o pessoal usava para combater os numerosos incêndios daquela época do ano. Deu para ver que a vida daquele povo não era nada fácil já que os incêndios eram praticamente uma instituição local utilizada para renovar os pastos e alimentar o gado.

A tal subida era um pouco pior do que eu imaginava: 2 km de uma verdadeira escadaria natural, com "degraus" dos mais diversos tamanhos, formas e cores. Como era de se esperar, os franceses subiram a uma velocidade alucinante (ao menos para os nossos padrões) e nós ficamos para trás mais vezes do que tenho coragem de registrar.
Ainda bem que eles não eram estressados e entenderam que nossa energia havia terminado no jantar da noite anterior. Naquele momento nós só dependíamos da "raça".

Em um das paradas para água e descanso aproveitamos para curtir a vista do Vale do Capão, uma região no lado oeste do Parque Nacional e que atraía um monte de trilheiros e aventureiros. O Michel nos contou um pouco da história do lugar e ficou empolgado quando mencionou o trekking do Vale do Pati, um pouco mais ao sul de onde estávamos. Só de ouvir a descrição dos cinco (!!!) dias de caminhada, já me deu vontade de voltar ao hotel e me enrolar nas cobertas.
Como isso não era uma opção, botei novamente a mochila nas costas e continuei judiando dos meus joelhos.


O Vale do Capão Posted by Hello

Terminados os dois primeiros quilômetros, a trilha vira uma verdadeira maravilha: poucas ondulações, estrada demarcada e muitas paisagens para alimentar as estórias de trilhas.
Pudemos ver os restos de um incêndio que havia atacado boa parte daquela área e que deveria dar muito trabalho ao povo da brigada lá no posto de controle.

Depois de mais quatro quilômetros, finalmente chegamos ao rio que alimenta a Fumaça e que faz dela a maior queda de água do país. Naquela época do ano, o rio estava praticamente seco e as poucas gotas que despencam do precipício não mereceriam o título de cachoeira.
O curioso disso e que só nessa época é possível atravessar o rio e ter acesso à plataforma de pedra que avança no céu e permite uma das visões mais espetaculares que tive na vida. Quando o rio está cheio, não dá para chegar até o outro lado e o turista tem que se contentar com a fotografia da água caindo.
Acho que foi uma boa troca já que vista lá da plataforma era realmente espetacular.
Para meu nervosismo e inquietude, a minha mineira se apaixonou pela vista da plataforma e não queria mais sair daquele lugar que era até um pouco inclinado para baixo, só para aumentar a sensação de que a distância entre a gente e o chão podia ficar mais curta a qualquer momento.


A vista desde a Cachoeira da Fumaça Posted by Hello

Um almoço de trilha e um papo em inglês sobre música francesa e brasileira depois, lá estávamos nós de mochila nas costas novamente rumo à pousada.
Eu esperava que o caminho de volta fosse mais fácil já que não tínhamos mais tantas ondulações e trecho final seria em descida.
Só Deus sabe como eu estava enganado!
Foram justamente os últimos dois quilômetros que exigiram mais da minha carcaça combalida e dos meus músculos em frangalhos.

Já de volta à pousada, tratamos de descansar, nos refrescar e trocar contatos.
Fiquei de mandar as fotos tanto para o Michel quanto para os franceses e para isso me armei de e-mail e endereços. Acho que vai ser uma ótima recordação.


A Pousada Verde Posted by Hello

Antes de nos levar para Lençóis, o carro que nos pegou no Vale do Capão parou no Morro do Pai Inácio. A idéia era encerrar com chave de ouro aqueles dois dias que ficariam na nossa memória para sempre.
Essa idéia não poderia estar mais certa e meus sonhos não poderiam ser mais modestos em relação à realidade.
A vista que tínhamos à disposição era nada menos que espetacular e nem o vento gelado que teimava em bater lá em cima do morro nos impedia de ficar de boca aberta sempre que mexíamos a cabeça e focávamos outra parte da Chapada.


A Chapada Diamantina Posted by Hello


Mais da Chapada Posted by Hello


O outro lado Posted by Hello

Até mesmo quando o guia local nos contou a estória do nome do morro e a gente ficou sentado durante uns 10 minutos, nossa animação permaneceu alta.
Faltava só o famoso pôr-do-sol, mas o cansaço e o medo de rachar a cabeça descendo do morro sem luz natural nos fez decidir pelo abandono do lugar e pelo rápido retorno a Lençóis.
Antes de descer, uma demonstração da perfeição da natureza ao deparar com uma pedra que era uma réplica quase perfeita do Morro do Camelo, visível ao longe.
A foto foi obrigatória e acho que o efeito funcionou


O camelinho e o camelão Posted by Hello

Acho que todos tínhamos na cabeça a idéia de largar as malas, tomar um banho e dormir até a semana seguinte, mas eu ainda tinha uma missão a cumprir: os franceses haviam saído da pousada e precisavam de um lugar para tomar banho e descansar antes de tomarem o ônibus para Salvador, dali a um par de horas.
Não querendo deixá-los sozinhos, lá fui eu até a pousada para tentar negociar um preço menor apenas para o banho e o sofá.
Como a dona do lugar quis cobrar um preço ainda maior do que o que eles tinham pago por dois dias, tivemos que ir até a casa dos guias da Venturas para buscar ajuda.
Felizmente o clima era de solidariedade e os franceses foram muito bem recebidos.
Me despedi deles, lhes desejei sorte e voltei para casa com a sensação de missão cumprida.

De volta ao Canto da Águas tomei um banho, relaxei um pouco e espereia fome bater.
Quando ela veio forte, resolvemos nos arriscar no Artista das Massas.
Não nos arrependemos pois saboreamos um belo prato ao som do cool jazz de Chet Baker.
A casa permite que os clientes escolham o tipo de jazz que querem ouvir enquanto comem e como não havia mais ninguém lá, nos sentimos os donos do lugar.
O único senão foi o fato deles não venderem cerveja e refrigerante.
Nos satisfezemos à base de chá e suco, mas não reclamamos de nada.

Voltando para casa, decidimos que não valia a pena enfrentar a estrada novamente no dia seguinte. Valia mais a pena passar mais um dia em Lençóis e só começar a voltar quando estivéssemos inteiros.
Era mais um atraso na programação, mas valia a pena.